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| (Acervo alheio mesmo) |
Dizem que uma imagem vale mais do
que mil palavras, mas eu gosto muito das palavras e você prefere as imagens,
então, que tenhamos os dois hoje. Sempre achei que eu não ligava muito para
clichês, mas eu gosto de alguns, como datas e você nem liga para isso aparentemente.
Eu tenho pânico de palco, medo de holofotes, sempre me escondo de multidões e
você é um artista, o palco é sua terra de missão. Eu amo livros e filmes e
trocaria facilmente uma tarde esportiva, da qual eu fugiria com toda certeza,
por filmes com dois ou três amigos. E você... você gosta de futebol, de praia,
de mergulho, sonha em praticar esportes radicais que me dão vertigem só de
imaginar. Eu gosto de escrever textos enormes, os quais só você tem a incrível
paciência de ler, mas me escreve duas linhas, porque esse é você. Eu extrapolo
todos os limites, faço mil perguntas, vou procurando todas as brechas para ir
conhecendo a sua história, em contrapartida, o máximo que te permiti entrar foi
na minha sala de estar e até tentei te expulsar de lá. Eu não sei o motivo, nem
sei bem como, mas sei que tentei ao máximo ser sua amiga e, quando entrei para
a “lista dos cinco”, eu não sabia como lidar, então, tentei de várias formas,
consciente, inconsciente, previamente e sem avisar... de todas as formas eu
tentei sair de um lugar, de uma vida que eu já chamava de lar. No entanto, você
insistentemente não me deixava sair e eu já nem sabia se eu queria, se eu
deveria, se eu ainda estava me esforçando para sair. Passei quatro dias sem
falar com você, sem trocar uma única palavra, desviando o caminho, tentando
evitar e, com qualquer outra pessoa, teria funcionado. Eu fico quatro dias sem
falar com a minha melhor amiga e “mal sei qual é o nome dela”. Porém, enquanto
eu sabia a quantos dias eu não falava com você, era como se não houvesse
diferença, era sempre o “primeiro dia”. Eu fiz uma lista de regras, as quais
você fazia questão de quebrar. E fiz uma única promessa, a qual você fez
questão de cumprir, mesmo quando eu queria que você quebrasse, então, eu tive
de quebrar por minha própria conta. Eu queria saber a quanto tempo somos amigos
ou a quantos dias nos falamos, mas parece sempre que são infinitos, um infinito
ainda pequeno e, ao mesmo tempo, ainda tão frágil. E hoje, dia do amigo, dia de
tantos amigos, dia dos amigos do dia a dia, eu sou apenas grata por tê-lo como
amigo, por poder contar com sua amizade, por sua força de vontade. Acho, sim,
que você aceita muitas coisas com facilidade e que me deixa muito livre para
escolher o que é melhor para mim, porque, às vezes, eu só queria que tivesse mais
importância e que você não me deixasse escolher entre partir ou ficar, queria
que partir nunca fosse uma opção, queria que minhas escolhas fossem menos
consideradas do que as suas lutas. De todo modo, eu ainda sou grata por você
permanecer. Eu chego ao final dessa amizade com a certeza de que não sei
absolutamente nada sobre você, mesmo que isso signifique saber mais do que a
maioria das pessoas, ainda me parece muito pouco. Ainda existe um milhão de
filmes para compartilhar, ainda existe um milhão de perguntas para serem
feitas, ainda existe um milhão de preocupações e dores compartilhadas das quais
eu não vou querer que você participe ou se preocupe, ainda existe um milhão de
dias (talvez menos, porque a matemática pode não bater) para serem vividos e
ainda existe tanta história para ser escrita. Um dia, eu espero não precisar
fazer nenhuma pergunta para ouvir a sua partilha, é claro. E espero não
precisar de nenhum pedido, cobrança, apelo para receber uma carta, uma de
verdade. Talvez seja necessária uma partida, uma missão ou algo que aumente a
saudade, porque a saudade favorece as palavras, então, eu ainda tenho
esperanças. Enquanto isso, eu aceito cada pequeno e cada grande gesto como
partes dessa história, como provas de amizade em uma amizade que é tão provada.
Aceito cada parte da nossa amizade, porque é assim que ela é e também porque
ainda não a entendo muito bem, eu não sei bem qual o propósito, qual a “duração”,
qual o sentido de tudo isso. Aceito como presente, como graça e como vontade de
Deus. Até o dia em que Ele nos der novos rumos, novas amizades. Provavelmente,
não existirá um milhão de abraços, mas, enquanto houver apenas mais um e
enquanto não for outro abraço de despedida, eu fico feliz por isso e isso
basta. Basta porque sou feliz por poder dizer que temos uma amizade
extraordinária. Agradeço por poder ter um abraço que me torna tão pequena,
por poder ser eu mesma e me descobrir mais eu a cada dia. Sou grata porque nossa
amizade não me divide, mas me ajuda a ser mais inteira, mais de Deus, menos
minha. Eu agradeço ainda pela coragem de ser tal qual você é, do jeito que é,
sendo assim tão único e sendo um lugar onde tantas pessoas se encontram, onde
tantas pessoas querem habitar, onde tantas pessoas encontram
um contraponto do mundo louco em que vivemos e encontram uma saída. Obrigada
pela virtude da nossa amizade, pela graça de poder contar com você. E, nesse
resvaloso rio chamado vida, só espero que nossos caminhos continuem se
encontrando, espero que haja muitos abraços, espero que a vida aconteça, mas
não nos separe para sempre. São apenas mil palavras, em ordem aleatória, em um
texto ininterrupto como eu espero que seja sempre a nossa amizade. Que não nos
faltem palavras, sorrisos e abraços. E que seja sempre dia de celebrar a nossa
amizade. Há tanto ainda por dizer... Mas há tanto ainda por calar, não é mesmo?
Então, digo apenas obrigada e, timidamente, um “amo você”, sem malícias. Até
breve.






