“She is
the only island for you in your life. From her there is no turning back for
you. Only around her does the sea have color.”
― Viktor Shklovsky, Zoo or Letters Not About Love
― Viktor Shklovsky, Zoo or Letters Not About Love
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| imagem de: <livewhatyoulovekris.wordpress.com> |
Hoje,
eu acordei no meio da madrugada, fui despertada de um sono que perdeu a
importância. Olhe para o lado e vi uma luz irradiante que me banhava, era tão
intensa que atravessa meus sentidos, parecia ganhar um frescor, um aroma, uma
delicadeza, era quase um toque. De tão agradável ao olhar, tirou-me o sono, os
pensamentos e tomou-me para ela. Olhando aquela luz, que vinha de fora do meu
quarto, mas parecia querer invadir toda a minha vida, eu me perdia em um outro
mundo, em algo totalmente irreal.
Aquela
lua, aquele brilho, aquela sensação... alguém me roubava de mim e, por um instante,
não existia mais dor, não existiam mais preocupações e nem mesmo cansaço, não
existia nada além de mim e daquela lua. E uma estranha alegria tomou conta de
mim. Pela primeira vez em muito tempo, eu não queria outra coisa, além de estar
aconchegada entre as cobertas, à luz daquele brilho, apenas sentindo aquela
gentileza da vida.
De
repente, eu me sentia abençoada. Sentia-me presenteada, sentia que alguém me
despertava para me fazer uma deliciosa surpresa. Naquele silêncio, nada
precisava ser dito, mas eu sentia tanta gratidão por estar ali. Então, adormeci
e, ao despertar, sem saber se tinha sido um sonho ou não, voltando para vida
como quem volta de uma viagem, vi que meus pensamentos voltavam à ordem “natural”,
e que aquele brilho queria se tornar apenas mais uma lembrança.
Porém,
hoje, não. Porque existiu essa força tão extraordinária que me pode roubar de
mim e me trazer de volta, porque houve uma pausa no tempo e um momento de rara
paz, porque nada poderia explicar essa tranquilidade que embalou minha alma e
porque eu quero de novo essa doce sensação, hoje, não falarei de nada que
remeta àquilo que me tira a leveza. Eu preciso da leveza de Alya e não da
densidade de Victor. Por hora, são palavras soltas, frases prontas, sobre a
vida e não sobre tudo que não pode ser expresso.

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