segunda-feira, 23 de maio de 2016

Viktor Shklovsky


“She is the only island for you in your life. From her there is no turning back for you. Only around her does the sea have color.”
Viktor Shklovsky, Zoo or Letters Not About Love

imagem de: <livewhatyoulovekris.wordpress.com>



Hoje, eu acordei no meio da madrugada, fui despertada de um sono que perdeu a importância. Olhe para o lado e vi uma luz irradiante que me banhava, era tão intensa que atravessa meus sentidos, parecia ganhar um frescor, um aroma, uma delicadeza, era quase um toque. De tão agradável ao olhar, tirou-me o sono, os pensamentos e tomou-me para ela. Olhando aquela luz, que vinha de fora do meu quarto, mas parecia querer invadir toda a minha vida, eu me perdia em um outro mundo, em algo totalmente irreal.

Aquela lua, aquele brilho, aquela sensação... alguém me roubava de mim e, por um instante, não existia mais dor, não existiam mais preocupações e nem mesmo cansaço, não existia nada além de mim e daquela lua. E uma estranha alegria tomou conta de mim. Pela primeira vez em muito tempo, eu não queria outra coisa, além de estar aconchegada entre as cobertas, à luz daquele brilho, apenas sentindo aquela gentileza da vida.

De repente, eu me sentia abençoada. Sentia-me presenteada, sentia que alguém me despertava para me fazer uma deliciosa surpresa. Naquele silêncio, nada precisava ser dito, mas eu sentia tanta gratidão por estar ali. Então, adormeci e, ao despertar, sem saber se tinha sido um sonho ou não, voltando para vida como quem volta de uma viagem, vi que meus pensamentos voltavam à ordem “natural”, e que aquele brilho queria se tornar apenas mais uma lembrança.

Porém, hoje, não. Porque existiu essa força tão extraordinária que me pode roubar de mim e me trazer de volta, porque houve uma pausa no tempo e um momento de rara paz, porque nada poderia explicar essa tranquilidade que embalou minha alma e porque eu quero de novo essa doce sensação, hoje, não falarei de nada que remeta àquilo que me tira a leveza. Eu preciso da leveza de Alya e não da densidade de Victor. Por hora, são palavras soltas, frases prontas, sobre a vida e não sobre tudo que não pode ser expresso.

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