Cenas de um filme francês
A garota que
sonhava com “happy endings” patéticos não desistia de acreditar que, em algum
momento, as coisas acabam dando certo. Não, ela não desistia de se entregar
inteiramente, de sonhar intensamente, de viver incessantemente. E, como todos
que são ingênuos de mais, ela carregava em si a fragilidade de deixar que cada
um que passasse pela sua vida levasse um pedaço de si mesma.
A garota do “copo
d’água” não cansava de tentar pôr ordem na bagunça da vida dos outros e acabava
esquecendo de si. E aconteceu o que sempre acontece quando não arrumamos nossas
bagunças: a vida dela se tornou um lugar de passagem. Uma estação em que os
trens mal fazem paradas. Um lugar onde a estádia não dura uma primavera
inteira.
Ainda assim,
ela não desistia. E se dispunha a recomeçar, como se fosse a pessoa mais forte
do mundo, sem saber que seu pequeno coração não conseguiria mais aguentar o “peso
da pluma”. Mais uma despedida, mais uma partida, mais uma abertura que não se
fechava e nem se preenchia. Pelo caminho, iam ficando ou iam seguindo os
pedaços de si que ela oferecia.
E assim ela
seguia, até que se deparou com uma estrada em que os trilhos acabavam e não
tinha mais por onde prosseguir. Sem um norte, sem saber a direção, sem saber a
quem perguntar. Já cansada de caminhar, desembocou no mar, como um rio. Ali
permaneceu.
Por fim, num último gesto, numa última pedido,
depositou ali, naquele começo de oceano, todas as suas esperanças. Depositou
tudo que ainda havia de si, como quem deposita preces em lanternas flutuantes, à
espera de quem pudesse enfim encontrar, porque não, ela ainda não havia
desistido de se entregar inteiramente, de sonhar intensamente, de viver incessantemente.
![]() |
| xpassagensaereas.com.br |

Nenhum comentário:
Postar um comentário